Cartas – Descrevendo Lyon

Em 2004, meu marido precisou trabalhar em Lyon, na França, por alguns meses e lá fomos nós… Aqui estão algumas cartas que escrevi para minha família contando nosso dia-a-dia e nossas impressões sobre o incrível momento que estávamos vivendo.

Oi Gente!

Acabei de voltar do meu passeio. Hoje o dia foi bem legal. Saí do hotel direto ao centro de informações ao turista, que é perto daqui em uma praça super linda. Tem uma estátua do Luiz XIV, a praça chama Bellecour.  Bem, quando cheguei lá dei de cara (ouvidos atentos) com um casal de brasileiros, que são de??? Porto Alegre! Fiquei super feliz. São dois senhores que estão (pelo que entendi) acostumados a viajar pela Europa. Ele não sei o que faz e ela é aposentada da PUC, formada em??? Jornalismo. Bem simpáticos, aquela coisa de gaúcho, né? Ô bairrismo…. Ah só para constar, ela tinha um bigode maior que o do Olívio Dutra. Parecia portuguesa.

Eles estão viajando de carro e vão embora de Lyon amanhã. Eles estavam querendo ir a Basílica Notre Dame de Fourvière, que fica na parte alta e velha da cidade, depois vou explicar tudo. E eu não quis ir, na verdade nem me convidaram, pois vou com o Renato no fim de semana. Eles pegaram o metrô e depois iriam de funicular. Mãe, eles moram na Glória, em Porto Alegre. Conversamos um pouco e nos despedimos, amanhã eles partem para Avignon.

Depois deste insólito encontro fui almoçar, onde? Mac de novo. Tio Gordo: é que por enquanto me sinto mais segura nas lanchonetes. Ontem eu ratiei e acabei ganhando uma coca light grande, ok. Hoje cuidei para pedir petit, e me fudi porque me deram uma coca normal. Ha Ha Ha Ha Amanhã vou caprichar…. De noite temos ido aos bouchons (os bistrôs são chamados assim). Gordo: aqui do lado do Hotel tem uma infinidade de buchons um ao lado do outro, com aquelas mesinhas típicas na rua e aquecedores, porque aqui tá frio. Ah, nos MacDonalds só dá eu e os nigerianos, porque a francesada não entra em lanchonete americana, então é muito engraçado. Hoje achei a Brasserie de Paul Bocuse (o maior e mais famoso chef da França), quero ver se vamos, depois eu conto.

Dei um rolê grande pela rua dos pedestres e depois fui ao Museu da Imprensa, muito legal, um prédio maravilhoso e uma exposição linda, com toda a història da Imprensa e a contribuição de Lyon (século XV). Paguei caro.

Fui caminhar mais longe um pouquinho e achei a prefeitura de Lyon (Hotel de Ville, é assim que chama prefeitura, século XVII) e o Museu de Belas Artes que ficam numa praça maravilhosa (Place des Terreaux) onde tem uma fonte do século XIX feita pelo mesmo escultor da Estátua da Liberdade. Podem imaginar que coisa linda? Sentei na fonte e fiquei…..

Bem, até chegar nesta praça, mãe, passei por mil cafés, lojas (Puma, Ermenegildo Zegna, Les Garçons, Diesel, etc) parecia que estava na Alvear. Cada prédio, cada igreja, que vou contar…. Mãe, vai ser moda no próximo inverno saias e pelerines, porque tem aos montes aqui, uns troços diferentes tipo aquele meu verde que compramos na Chocolate de Buenos Aires, tem um monte. Vi um vestido desses de por em cima de calças que te serve….

Achei correio e postais lindos, mais tarde vou mandar.

Tenho feito orçamento das máquinas e hoje achei uma ainda mais barata que a Sony que vi na Fnac ontem. Nós combinamos que sábado vamos comprar, vai ser a primeira coisa que vamos fazer. Ah achei uma loja só Sony, mas não é mais barata. Achei também aquelas impressoras para fotos bem mais baratas que aí no Brasil, mas o Renato ainda não sabe se vale a pena comprar, pois o cartucho de tintas aí deve ser caro. Ah achei uma megastore da Virgin (que é uma super loja de cd e dvd de Londres).

Agora quero explicar pra vocês um pouco sobre Lyon: a cidade é dividida em três partes, a velha Lyon (Vieux Lyon) que fica a esquerda do rio Saône, numa colina. Lá fica a Basílica de Notre Dame (que tem uma iluminacâo linda e vemos todas as noites daqui da parte baixa), dois anfiteatros romanos, uma torre metálica tipo a Torre Eiffel, o museu Gallo-Romano e outras coisas. Para ir lá devemos atravessar o rio a pé e depois pegar um funicular. Deve ter uma vista linda, depois eu conto….

O centro de Lyon, entre os rios, e onde estamos morando, chama Presqui’île, é o coração de Lyon. Aqui tem muitas praças e museus, estou adorando estar aqui, pois tem muito o que fazer. Realmente a maioria dos museus está aqui. Sem falar na infinidade dos restaurantes, bistrôs, lojas, a Ópera de Lyon. Só não posso matar todos os museus de uma só vez, estou pensando em fazer um por dia.

E do outro lado, depois do rio Rhône, (Presqui’île fica entre eles) fica a Part Dieu, que é a parte moderna da cidade, a estação do TGV,  prédios comerciais e a Galeria Lafayette (tô achando que é o único shopping daqui, não sei, também vamos lá no fim de semana).

Aqui tem bonde e metrô, mas ainda não me animei, na verdade tenho caminhado bastante e tem tempo, depois de explorar tudo por aqui vou mais longe….

Ah mãe também achei aquela loja Habitat (acho que é de Londres também) que fez uma coleção de peças de design assinadas por vinte pessoas vips do mundo inteiro para comemorar seus vinte anos e quem tem uma peça exposta aqui, é o Gil (fez, desenhou, um banquinho para tocar violão), no mínimo é interessante, não é?

Ual, pra variar tão querendo usar a internet…. eu chego primeiro e logo começam a me tontear…..

Olha o número que vocês podem ligar direto no apartamento:  00 21 33 47 240 41 47. Acho que é isso, vou confirmar com o Renato qualquer coisa eu corrijo depois, ok?

Milhões de beijos!

Amanhã eu escrevo mais.

Dani

Rio Saône e ao fundo o Palais de Justice em Vieux Lyon.
Fonte linda feita por Bartholdi, o mesmo escultor da Estátua da Liberdade de NY. Place des Terreaux.
Place Bellecour.
Prédio da Ópera de Lyon.
As ruas de Vieux Lyon.

Sobre o nada

 

Essa crônica é sobre o nada. Nada a ser escrito. Nada a ser dito. Isso acontece até mesmo com quem fala mais que a boca e pensa mais que o próprio cérebro. Defectível cérebro, é claro. Mas uma máquina incessante. Isso acontece. O nada. Acontece também com quem palpita até na vida da diarista. Com a devida permissão, com certeza. Ou nem tanto. Ou quase nada. Mas não é verdade que sempre temos a solução para os problemas dos outros? Portanto, dar conselhos se o filho da empregada deve ou não fazer o enem, é nada. Um pouco mais que nada. Talvez. Nada é sempre relativo.

Pronto! O nada rapidamente ganhou corpo. Virou tema de reflexão. É impressionante como a máxima de viver em sociedade, que o ser humano é um ser social e blá, blá, blá, nos faz aptos a interagir com nossos iguais de maneira invasiva. E quem disse que precisa pedir? Quem foi que perguntou? Nos metemos mesmo. E o mais engraçado é que temos a chave do sucesso. Da porta dos outros. O roteiro da vida do outro é facinho de traçar. Por que resolvemos tudo dos outros? Os outros. Dos outros. Para os outros.

Até nos assuntos mais prosaicos, sabemos mais que nosso semelhante. Repare como sabemos qual o melhor cardápio, a melhor viagem, a melhor marca de xampu. Do remédio para a frieira ao conserto da TV. Só sei que tudo sei, ou sabemos. Quando se trata de logística então, doutores. Já aconteceu de estar de carona com alguém e indicarmos qual o melhor caminho a seguir. O navegador é melhor que o motorista, quase sempre. Se o tema é livro, pimba! Temos a melhor indicação! Filme? É só dizer o gênero. Sempre temos uma vasta experiência. Anos luz na frente de quem aparecer pela frente.

O palpite é certeiro. A opinião é contundente. O exemplo é pertinente e o resultado desconcertante: resolvemos o seu problema! Simples assim! Pode por uma placa indicando o ofício. Sempre saberemos o que fazer com a aflição alheia. O amigo angustiado bate em nossa casa e abrimos a porta da esperança. E de lá vem o passo a passo, o faz assim ou assado, o vai ou racha e o tim tim por tim tim. Exatamente como uma receita. Mais você. Louro José? No caso mais pra loura palpiteira.

Em bom latim, o nome disso é dono da razão. Ou dona. Não interessa muito qual gênero. Muito menos o número e o grau, porque é sempre num grau! O proprietário da verdade é aquele que conhece o caminho das pedras e da razão. E sempre tem razão. Qualquer semelhança com o divino não é mera coincidência. Afinal, somos feitos à imagem e semelhança do próprio. Portanto, somos o cara. Temos poder.

Tá, mas então por que este poder não está presente para resolvermos nossa vida? Onde estão nossos super poderes nessa hora? E os conselhos perfeitos? E as decisões acertadas? Conosco, o buraco não só é bem mais embaixo, como o fundo dá na China. Porque definitivamente nossos problemas não são o foco. O olhar é no vizinho, claro. Ajudar o atormentado é muito mais prazeroso, digo, generoso, do que olhar nosso umbigo! O ser humano é especial, mas esse dom só é capaz de ser exercido diante do espelho. Com outro reflexo. Do outro.

Temos muita pretensão, prepotência e onipotência. E poder superior em determinar, interferir e invadir. Também dom para nos achar e nos sentir. Sempre os sabichões e elevados. Potência máxima. E assim caminha a humanidade. Bom seria se fosse calçada nas sandálias da humildade. E com os olhos em nós mesmos.

Os benefícios de conviver com os pets

 

Por Clarissa Soares Abicht, Médica Veterinária, especialista em Oncologia Veterinária e Consultora Nutriciona

Ganhar muito amor independente de qualquer condição, sair de casa durante 30 minutos ou 8 horas e ser recepcionado com a mesma alegria sempre, varrer os pelos, cuidar da alimentação, se preocupar com a água sempre fresca, sair para passear em dias chuvosos ou domingos e feriados onde o que mais queremos é ficar atirados sem fazer nada. Acredite, tudo isso faz muito bem para o seu corpo e sua mente!

Inúmeras pesquisas são desenvolvidas mostrando que a relação homem-animal traz benefícios e uma visível melhora na qualidade de vida de todos aqueles que decidem por dividir a sua rotina com um amigo de quatro patas. É comprovado que crianças e adolescentes autistas que convivem com um cão, gato, coelho, pássaros, roedores e aves, apresentam melhora na interação social. Ter um animal em casa pode fazer com que se sintam mais à vontade para conversar e contar sobre o seu bichinho de estimação, por exemplo. Bebês que convivem com animais são mais saudáveis. Na Finlândia, pesquisadores acompanharam crianças, desde o seu nascimento, durante um ano e concluíram que bebês que tem contato diário com animais de estimação, principalmente cães e gatos, tem menor risco de infecção respiratória e também menor necessidade de tratamentos com antibióticos. Mulheres em período gestacional também se beneficiam da companhia de um animal de estimação. Um estudo em Liverpool revelou que um simples passeio com o cão, uma vez por semana, gera efeitos positivos para a saúde da grávida. Na Carolina do Norte foi estudado o comportamento das pessoas que levavam o seu animal de estimação para o trabalho e verificou-se que o nível de estresse do funcionário é menor e o rendimento, nas atividades a serem realizadas, melhor. Na Grã-Bretanha, um trabalho comprovou que pessoas tímidas se tornam mais sociáveis quando convivem com um cão. Em São Paulo um questionário sobre estilo de vida e bem-estar comprova que pessoas que possuem animais de estimação são mais felizes e saudáveis, tem maior auto estima, são menos solitárias e mais extrovertidas, além de apresentarem melhor condição física. Pesquisas também comprovam que a convivência diária com um cão ou gato proporciona a diminuição da pressão sanguínea, dos níveis de colesterol e do estresse, além de reduzir o risco de problemas cardiovasculares. Em inúmeros lares, a prova de que o amor de um animal de estimação pode curar transcende todo nosso entendimento.

Poder conviver com esse amor imensurável que um animal de estimação dedica ao seu dono é inexplicável. Mas alerto que é de extrema importância que ao escolher um animal de estimação, seja compreendido que a vida desse animalzinho será sua responsabilidade por muitos anos.

 

A alimentação dos pequenos em viagem

Por Débora Durante, nutricionista.

O sucesso de hábitos alimentares saudáveis na criança e adolescente depende de muita paciência, afeto e suporte por parte principalmente dos pais. Toda a família deve ser estimulada a contribuir positivamente na alimentação. As refeições devem preferencialmente ser com todos reunidos, sendo esta vista como um ato prazeroso.

As situações mais comuns relacionadas à alimentação oferecida de forma inadequada são: anemia, obesidade e desnutrição. O desenvolvimento precoce da obesidade vem apresentando aumento alarmante entre crianças, adolescentes e adultos em todo o mundo, sendo um problema de saúde pública que tende a se manter em todas as fases da vida. Uma alimentação pobre em nutrientes, ofertando poucas fontes de proteína, minerais e vitaminas, pode causar baixo peso nas crianças, além de deficiências nutricionais. A anemia por deficiência de ferro é na atualidade o principal problema em escala de saúde pública do mundo. Ela causa prejuízos e atrasos no desenvolvimento motor e cognitivo em crianças e que parecem não ser revertidos mesmo após a suplementação medicamentosa com ferro.

 

O comportamento dos pais em relação à alimentação infantil pode gerar repercussões duradouras no comportamento alimentar de seus filhos até a vida adulta. As crianças tendem a não gostar de alimentos quando, para ingeri-los, são submetidos à chantagem ou premiação. Os pais são responsáveis pelo que é oferecido à criança, e a criança é responsável por quanto e quando comer. Em geral, as crianças tendem a rejeitar alimentos que não lhe são familiares. Porém, com exposições frequentes, os alimentos novos passam a ser aceitos, podendo ser incorporados à alimentação da criança. Em média são necessárias de oito a dez exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança. Muitos pais, talvez por falta de informação, não entendem esse comportamento como sendo normal e interpretam a rejeição inicial pelo alimento como uma aversão permanente, desistindo de oferecê-lo.

Portanto, os pais tem a responsabilidade de oferecer os alimentos corretos para as crianças. Evitar o excesso de produtos industrializados, optando sempre pelo mais natural possível. Alimentos com muita gordura, açúcar, substâncias artificiais e químicas, quando ofertados de maneira abundante, causam sensações viciantes ao cérebro e a criança irá querer sempre mais. No desenho abaixo, mostra exatamente o que o açúcar causa no cérebro.

O açúcar não está apenas nos doces, está também nos alimentos ricos em carboidratos, como arroz, massas, batata, aipim, pães, etc. Outra substância chamada glutamato monossódico, que tem na maioria dos alimentos industrializados, atua como realçador do sabor. Ele altera a comunicação entre receptores do cérebro, fazendo com que as pessoas comam mais. Ele engana o cérebro e faz com que a pessoa queira mais e mais deste sabor que lhe satisfaz. Isso vai causar danos para o corpo e mente, criando problemas para a vida toda relacionados à saúde, depressão, etc.

Quando a criança e adolescente sai da rotina, em viagens, por exemplo, é de grande importância dos pais a escolha do local que irá fazer as refeições, se o local tem condições adequadas de higiene, se oferta diferentes tipos de alimentos, não apenas os ricos em gordura e açúcar. Tente oferecer e criar curiosidade em alimentos mais saudáveis para seus filhos. Tendo hábitos saudáveis no dia a dia, não será um fast food ocasionalmente que “estragará” tudo. Evitar ficar “beliscando” o tempo todo também é importante. Procurar fazer bem feita as refeições como café da manhã, lanche no meio da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar são fundamentais para não ficar com fome a cada hora.

Muitas crianças e adolescentes optam por alimentos mais a base de carboidrato e gordura, por exemplo, no café da manhã apenas pão com manteiga, no almoço, apenas macarrão e por aí vai. É fundamental ofertar alimentos que tenham fibras e proteína, até para evitar a fome a toda hora. As fibras que tem nos vegetais e legumes no geral, nas frutas, na granola, na aveia, nas oleaginosas como castanhas, amêndoas, cereais integrais, nas leguminosas como feijões e lentilhas e a proteína das carnes, leite e derivados. As crianças precisam de todos estes nutrientes para crescer saudável, evitar deficiências de micro e macro nutrientes e principalmente doenças causadas por uma alimentação incompleta.

Cartas – Chegando em Lyon

Em 2004, meu marido precisou trabalhar em Lyon, na França, por alguns meses e lá fomos nós… Aqui estão algumas cartas que escrevi para minha família contando nosso dia-a-dia e nossas impressões sobre o incrível momento que estávamos vivendo.

Chegamos em Lyon para passar alguns meses!
Lyon é a cidade de nascimento de Antoine de Saint-Exupéry e seu filho famoso: Le Petit Prince

 

Lyon, 12 de outubro de 2004.

Oi mãe!

Olha eu de novo, mas é que eu precisava te contar umas coisas.

Aqui tem um táxi de bicicleta coberto por causa da chuva, que custa 1 euro por quilômetro, um barato! Tem também uma loja aqui perto chiquérrima que chama Pré Natal. Sacou? Roupas para gestantes! HaHaHaHa!

Hoje falei pela primeira vez meu francês maravilhoso.  Na rua quiseram falar comigo para uma pesquisa e eu lasquei: je ne parlê pa francê!!

Ai que chique!!

Aqui é o dia inteiro: bonjour!!!

Achei um museu perto daqui, super legal, de hospitais e prática da medicina do começo do século passado.

No apartamento tem: um quarto, sala, cozinha, banheiro, aparelho de cd, tv, máquina de lavar louça, torradeira, forno de micr e  o sofá é cama.  Muito bom!!

Fui na Fnac ver as máquinas digitais.

Mais tarde te ligo, beijos!

O Renato acabou de chegar!

Dani

Eu na Ponte para Vieux Lyon com a Catedral de Fourvière lá no alto!
Place de la Republique

 

Não temos Wifi!!

Não temos Wifi!!

Tenho me perguntado qual o futuro da comunicação das relações. Onde vamos chegar, como vai ser e o que nos espera na próxima esquina, digo, milênio. Em termos de tecnologia vejo que caminhamos a passos largos, e que passos, porque a geração que vem por aí já está com um chip embutido sei lá onde, pois é praticamente uma mistura de Steve Jobs com Einstein. Deus, geramos mini gênios! Por essa, Stanley Kubrick não imaginava. Meus questionamentos são sobre o olho no olho.

No meu manual de instruções de vida, praticado há anos na minha família, coisa de herança mesmo, sabe? Passado de mãe para filha, coisa séria. Pois bem, nessa cartilha a conversa faz parte dos relacionamentos, sejam eles quais forem. Um papo aberto no pé da orelha com um filho, amigo ou parceiro é tão importante quanto à conversa com o cachorro de estimação ou o chefe. O importante é conversar pessoalmente, de corpo presente e cabeça principalmente. Porque cá pra nós, o que tem de gente que faz figuração de si mesmo, não tá no mapa, né? Nem no Google maps! Só pra ficar na seara moderna e tecnológica atual!!

Minha preocupação se baseia em cenas cotidianas que tenho, infelizmente, diga-se de passagem, assistido. E eu falei no plural, atentem! Famílias sentadas à mesa de algum restaurante sem dar um pio, nem grunhido nem nada. Diálogo então nem pensar! Sabe aquela coisa antiquada de um fala e o outro responde? É isso. Ou era. Pois agora é assim: cada membro com um celular na mão em estado de pura concentração e foco – no aparelho! Silêncio perturbador. E comida fria, muito provavelmente!

Acho deprimente, acho um prejuízo de tempo e de dinheiro também, porque não. Se for para ficar grudado no telefone, fiquem em casa e façam um macarrão instantâneo, ora bolas. Mas essa não é a pior parte, para mim é a falta de assunto mesmo. As pessoas estão deixando a intimidade de lado para verificar email, mandar mensagens e dar uma olhada nas últimas notícias das redes sociais.

O que é isso companheiro? O que vai acontecer com os relacionamentos? Essa mudança de prioridades me preocupa muito. Rolar o dedo na telinha do telefone acabou tomando lugar do contato entre as pessoas, do encontro. Imagino que as relações serão seriamente comprometidas. Desde quando o celular passou a ocupar esse espaço sagrado do olhar, da voz, da intenção? Eu perdi esse bonde, definitivamente. Ainda bem.

A vida já é tão corrida com tantos afazeres, as famílias são tão compromissadas e, mesmo assim, as pessoas não se dão conta da vantagem e do privilégio de encontrar-se em uma mesa de refeições. Uma mesa familiar é tudo! Metaforicamente dá para afirmar que a vida passa pela mesa. Entre uma garfada, um café ou um soco todas as emoções estão naquela mesa. E naquela mesa tá faltando ele e a saudade dele dói demais em mim. O poeta só não podia prever que seria praticamente uma mãe Diná e o “ele”, no caso, seria o papo. E papo vai, papo vem… papo foi. Acabou.

Saudades de uma boa família italiana de filme, daquelas em que todos gritam, brigam e gesticulam muito diante de uma macarronada da mama. Cartas na mesa, sempre, mesmo que seja dentro de um estabelecimento comercial, grande coisa, quem se importa. A cena agora é entrar no restaurante e antes de tudo verificar se tem wireless. Muito mais necessário que bom cardápio é estar conectado à rede. Preço? Quem se interessa?! Tem novidades para contar? Vá ler na mensagem, manda por DM ou uatesápe. Corra Lola, corra, que o mundo mudou.

Mas minha família não. E meus amigos também. Todos somos uma grande máfia da boa conversa à mesa. E já vou logo avisando aos navegantes, que aqui não tem wifi, conversem. Ah! E deixem seus celulares na porta de entrada. Não sou besta, vai que tem três G! Apelo: por favor, não troquem suas relações por um Blequebéuri!