Alpes franceses

Quando estávamos morando em Lyon, França, tivemos oportunidade de conhecer muitas cidades do interior francês.  Mas nos apaixonamos em especial pela região dos Alpes. Eu deixei meu coração em Annecy e meu marido em Tignes, uma estação de esqui que faz parte do que chamam de Espaço Killy.

Em um final de semana prolongado resolvemos conhecer outras cidades da região que ainda não tínhamos visitado. E partimos para Albertville, Moûtiers, Courchevel, Meribél, Bourg Saint Maurice e finalmente Tignes. Aqui no blog, eu já te contei sobre nosso passeio por Chamonix e Mont Blanc.

Em qualquer época, os Alpes são um espetáculo, mas no início do inverno ou no próprio frio, a beleza da cadeia de montanhas se sobressai ainda mais, porque a paisagem alpina ganha ares de cenário de filme romântico da sessão da tarde! Aqueles majestosos picos nevados, os chalés aquecidos e os cafés oferecendo um delicioso chocolat chaud – chocolate quente são inesquecíveis.

Muito embora as estações de esqui abram oficialmente um pouco antes do Natal, já em novembro é possível encontrar algumas estâncias prontas para os esportes de neve, como foi o caso de Tignes, aberta quase o ano inteiro (claro que com outros esportes).

Nosso roteiro começou por Albertville, uma cidadezinha pequenina com pouco mais de 18 mil habitantes, e muito bonitinha! Ela ficou conhecida por sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 1992.

Depois, fomos para Moûtiers, que é o ponto de acesso a várias estações de esqui da França como Le Trois Vallées (que são super glamurosas: Courchevel, Meribél e Val Thorens, nas fotos abaixo) mas que não seriam nosso destino final.

Como curiosidade, vale contar que Moûtiers foi capital dos Ceutrones, uma tribo celta da Gália. Lyon, por sua vez, foi a capital da Gália. Mas voltando a Moûtiers, é uma vila linda, com um centrinho histórico e ruas estreitas em torno da Catedral de Saint-Pierre com aproximadamente (só!!!) 3800 habitantes. Eu achei que o maior charme de Moûtiers, é sem dúvidas, o rio Isère correndo pela cidade.

Repare a cara de frio do marido…
No bouchon

Depois do almoço, num típico bouchon, restaurantes simples, baratos, mas conhecidos pela ótima gastronomia – típicos da região Rhône-Alpes, fomos para Bourg Saint Maurice. Como Bourg, como é mais conhecida, é a entrada oficial de Les Arcs pelo funicular Arc en Ciel, a cidade conta com  boa opção de hospedagem e foi lá que decidimos pernoitar antes de seguir para Tignes, 27 km depois. E como não poderia deixar de ser, nossa escolha foi um lindo chalé de pedra para continuarmos no clima de romance.

Você encontra mais detalhes, informações e preços sobre esse excelente hotel 3 étoiles na Hotéis.com.

No outro dia, partimos atrás da neve de Tignes e não nos decepcionamos!! Tignes, junto com Val d’Isère, faz parte do conjunto conhecido como Espaço Killy – nome em homenagem ao grande atleta francês Jean-Claude Killy,  que durante os Jogos Olímpicos de Inverno de 1868, em Grenoble (também na França), ganhou três provas do esqui alpino: descida, slalom e slalom gigante.

Para subir onde ficam as pistas, existe um trem por dentro da montanha! A curiosidade de nossa subida à Tignes ficou por conta de um enorme grupo de esquiadores cadeirantes!! Sensacional! E só para constar, éramos os únicos sem esqui!

No trem para subir até as pistas, perceba a escuridão de dentro da montanha!

Após almoçarmos na estação voltamos a Bourg! Abaixo, aquele momento que você percebe que está nevando…. só para completar a felicidade!!

 

 

 

Exposição na Biblioteca Municipal de Lyon

Lyon, 4 de novembro de 2004.

Oi Mãe!

Esqueci de contar que ontem que fui na Zara! Tinha um povo lá dentro aí pensei: deve ser liquidação… E era!! Mas paras francesas… não pra mim infelizmente!! A coisa mais barata era 19 euros! Sabe que a Zara daqui tem maquiagem? Pois é, um batonzinho por 4,60!!!! Fico com a Avon.

Hoje choveu muuuuito, então peguei um metrô e me fui para a Biblioteca Municipal de Lyon para a exposição do Allan Kardec. Não conta pra ninguém, só vou contar pra ti (porque me fiz para o meu pai) não entendi um ovo!!! Eu já imaginava, porque pensei que teriam só documentos, livros e coisas escritas…. Acertei! Não podia ler, logo, nem entender nada!!! Mas tenho mais sorte que juízo e podia tirar fotos, então tirei de tudo que estava escrito para mostrar pro Renato e ele me explicar em casa… Hahahahaha! Esperta!!

E para falar a verdade achei fraca! Não conta pra ninguém 2! Falava que no Brasil é que a doutrina tem mais adeptos…. Aí no nosso país é que encontrou o sucesso!

Mas não perdi a viagem ,porque minha sorte gritou de novo e tinha na biblioteca, um prédio grande, uma outra exposição de um famoso fotógrafo francês que amei!! “Rétrospective Jean Dieuzaide“. Essa sim foi muito legal e valeu a ida! Até porque não precisa ler, não é? Hahahaha! Viva a arte!

Mas já mandei mail para o pai contando tudo (ou quase) e mandei fotos.

Ontem botei minha correspondência em dia e escrevi pra todo mundo, na verdade terminei hoje. E a tia Márcia já respondeu dizendo que a Patrícia ganhou uma menina, a Thaíse ganha até dezembro e a mulher do Beto tá grávida de novo. Me disse que tá perigoso passar por lá… que tá segurando a Cacá. Achei muito engraçado!

Já escrevi, respondi, para a Macao e para a Ana Lúcia.

Mãe, não entendi porque tens que trabalhar no final do ano, não dá para ter uma folguinha? Esse ano acho que vai ser mais tranquilo! Quem sabe repensa isso!

Me dá notícias sobre esse negócio do Credicard.

Vamos para os Alpes de novo neste fim de semana, mas voltamos domingo. Amanhã conto direito pra onde, tá? Porque nem eu sei ao certo ainda.

Mil beijos, já viste as fotos do finde?

Saudades, Dani Ah! O Natal está começando aqui….

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Para quem não sabe Hippolyte Léon Denizard Rivail  ou Allan Kardec nasceu em Lyon. Ele foi um influente educador, autor e tradutor, mas notabilizou-se como o criador do Espiritismo ou Doutrina Espírita, como também é conhecido.  Foi discípulo do reformador educacional Johann Heinrich Pestalozzi e um dos pioneiros na pesquisa científica sobre  fenômenos paranormais ou mediunidade, assuntos que antes costumavam ser considerados inadequados na sua época. Se você quiser saber mais, aqui você encontra o site da Federação Espírita Brasileira.

Abaixo algumas fotos da Exposição Lyon, o coração do Espiritismo!

 

Em tempo: Jean Dieuzaide foi um grande fotógrafo francês conhecido por suas naturezas mortas e as fotografias humanistas. Foi um incansável militante promotor da fotografia francesa. Ele é autor de uma série famosa de retratos do artista surrealista Salvador Dali. Neste link você encontra mais fotos de Jean Dieuzaide.

Imagem relacionada

Lyon: Beaujolais Nouveau est arrivé!

Beaujolais Nouveau est arrivé! E hoje essa frase está na boca de nove entre dez franceses! É que hoje, a terceira quinta-feira de novembro, é Dia de Beaujolais na França, mais especificamente em Lyon. Comemoração em todo o país, mas na cidade é uma festa! Tivemos oportunidade de presenciar em 2004, quando estávamos passando uma temporada por lá! Já contei muitas vezes sobre essa experiência aqui mesmo através de cartas (emails), que mandava para minha família.

Mas  o que é isso? Se você não é um enólogo ou um apreciador de vinhos, como eu, deve estar sem entender muito, não é? Pois foi assim mesmo que me senti na época, quando meu marido chegou do trabalho uma semana antes do tal dia, contando o que veríamos a seguir. Quem? Quando? Do que se trata? Me explicou e tal, mas confesso que viver aquele dia, foi bem diferente.

A terceira quinta do mês finalmente chegou e com ela o vinho Beaujolais Nouveau! Neste dia, o vinho entra na cidade em barcos pelo rio Saône aos olhos da população lyonnais. É um vinho tinto feito de uvas Gamays, cuja produção é feita na região de Beaujolais, colada em Lyon.

As pessoas na rua ficam emocionadas de verdade. Tem dança, tem música, tem festa, tem muita propaganda e, é claro, tem vinho, muito vinho! Todos os bouchons, bistrôs e restaurantes colocam mesas de degustação nas calçadas. Todo mundo feliz com uma taça de vinho na mão. Por todos os lados é possível ver o slogan Le Beaujolais est arrivé (o novo Beaujolais chegou!)! Juro que não conheço nada igual! Não vi um só tumulto na rua ou cena de excesso de vinho na cabeça. Só alegria! E olha, nem o frio faz o povo perder a graça!

Origem do Dia de Beaujolais: Diz a história que esse era um vinho feito rapidamente, com a finalidade de abastecer a população local, logo após a colheita, enquanto o “melhor” Beaujolais não ficava pronto. Em 1951, o Beaujolais Nouveau foi oficialmente reconhecido na legislação. Com o tempo, o que era apenas uma tradição local dos arredores de Lyon, ganhou tanta popularidade que chegou a Paris e atingiu o mundo.

Segundo uma pesquisa que fiz, ao contrário dos demais vinhos, o Beaujolais Nouveau é um vinho produzido em menos de dez semanas, é um vinho para ser bebido jovem. Ele passa por um processo de produção chamado maceração carbônica, através do qual os cachos são colocados inteiros dentro de cubas e então o gás carbônico é adicionado ao recipiente, expulsando, como consequência, o oxigênio lá presente. Acontece uma fermentação intracelular, dentro de cada fruta e depois esta fermentação passa a ser extracelular, pois as peles das uvas se rompem, liberando oxigênio. Este processo de produção invariavelmente confere aromas de banana ao vinho, e esta é uma das suas principais características. Mas no Blog Enofilia você vai encontrar uma opinião de quem realmente entende desse vinho!

Então você vai me perguntar: e o vinho é bom? E eu, muito sem jeito, vou te responder: não sei… Nem cheguei perto dele, porque não gosto da bebida de Baco! Mesmo naquele dia empolgadíssima com a festa na cidade, não tive vontade de tomar, nem sequer experimentar! Eu sou um fiasco! Já andei pelo Chile e nada… já andei até no Vale dos Vinhedos da Serra Gaúcha e pedi suco de uva!! Sou uma vergonha internacional!

Acompanhe algumas fotos (não estão lá essas coisas) e um vídeo do clima daquela noite inesquecível e que, muito provavelmente, é o que vai acontecer hoje à noite em Lyon!

 

 

 

Para você meu leitor, que aprecia um bom vinho, eu não vou te deixar na mão! Meus colegas blogueiros do Suas Próximas Viagens tem um roteiro imperdível, com dicas e fotos sensacionais, das Vinícolas da Toscana! Passa lá! Vale muito a pena!

Provence parte 5 – Pont du Gard

Continuação da carta de 3 de novembro de 2004. Em Memórias você encontrará as anteriores.

Depois de muita bateção de perna e descobertas voltamos para Avignon. Encontramos um bom hotel para passar a noite. Aqui em quase todas as entradas das cidades encontramos as boas redes de hotéis como Ibis, Kiriad, Fórmula 1, etc. São hotéis bons, novinhos, com estacionamento, café da manhã e, o melhor de tudo, preços honestos.

De volta à Avignon fomos curtir novamente a praça do Palácio dos Papas, apreciar a iluminação noturna.

Segunda de manhã fomos direto para a Pont du Gard, um aqueduto romano de dois mil anos, (o Sérgio Naya devia ter feito um estágio com esse pessoal!!!) que fica entre Avignon e Nîmes. O aqueduto é impressionante, pedras imensas encaixadas não sei como. Uma visão inesquecível. A ponte tem 48 metros de altura e 50 quilômetros!!! Imaginaram?

Terminamos nosso super feriadão em Nîmes, mas não conhecemos muito da cidade, fomos somente à Arena romana construída no final do século 1 d.C., mas até hoje usada para grandes eventos, pois cabem 25 mil pessoas, aproximadamente.

Bem, depois de muito caminhar, conhecer, aprender e curtir, partimos para Lyon. Como podem perceber estamos aproveitando ao máximo nossa estada na França. Realmente  estamos muito felizes! Para o próximo fim de semana ainda não sabemos onde ir, mas seja onde for, tenho certeza absoluta de que será maravilhoso também! Aguardem notícias, depois conto tudo!

Curtam as fotos! Beijos, saudades, Dani e Renato

Hotel Kyriad em Avignon.

Nimes:

Provence parte 4 – Aix-en-Provence

Lyon, 3 de novembro de 2004.

A primeira parte da carta você encontra aqui , a segunda aqui e a terceira neste link aqui.

Abaixo a continuação:

Pois bem, fomos com muita chuva para Aix-en-Provence, um cidade muito bonita e bem maior que Arles, com 126 mil habitantes. É conhecida por suas fontes e pela fabricação de um doce chamado Calisson.

E realmente nunca vi tanta fonte na vida, nós tiramos (me dei o trabalho de contar) fotos com 14 fontes! Porque, como já sabíamos desta característica, combinamos de que cada fonte nova que encontrássemos, click nelas!! E foram, 14!! Caminhamos bastante, mas não por toda a cidade, é claro!

Em Aix tem uma rua super charmosa chamada Cours Mirabeau, onde tem casas do século 17 e 18, lindas, e cafés e brasseries com mesas na calçada, e foi lá que almoçamos. O que quero contar é que nosso prato foi muito original. Costeleta de porco com purê de abóbora. Até aí tudo bem, mas o molho era de lavanda e no purê estavam cravados ramos de alfazema!! Ual! Já imaginaram? Eu gostei, o Renato não, mas é porque ele não gosta de misturar doce com salgado.

Em Aix não resisti em entrar numa pâtisserie para provar os famosos calissons. O Renato registrou a hora exata do crime!! Depois mostramos. Calisson é um docinho refinado feito de amêndoas, melão e açúcar. É um marzipã de melão com glaceado em cima, os calissons são em forma de “olho”. São deliciosos, pena que caros também! (Ai, que pena…)

Depois de nosso inusitado almoço e sobremesa, fomos para a casa-atelier de outro famoso: Paul Cézanne, que nasceu, morou e morreu em Aix. Sua casa, projetada por ele mesmo, está exatamente como a deixou, em 1906. Um barato entrar lá e ver seu material de pintura, os cavaletes e objetos pessoais. Cézanne será homenageado por sua cidade em 2006, pois estão preparando uma grande exposição. Quem sabe não estaremos por lá de novo… quem sabe…

Saímos de Aix por volta das 16h meio sem rumo, o que é ótimo, pois só temos compromisso com o lazer nessas viagens! Resolvemos, de última hora então, entrar em Salon-en-Provence, outra cidadezinha minúscula que fica entre Aix e Avignon.

Salon foi outra agradável surpresa. Descobrimos ser a cidade onde morou e morreu Nostradammus. Visitamos seu túmulo que fica na catedral e fomos na sua casa, que hoje é um interessante museu. Foi nesta casa que ele recebeu para uma “consulta”, Catarina de Médicis. Nooooossa!!!!!

Ao caminhar por Salon, e muuuuito, encontramos outro museu surpreendente: o Museu de Armas do Império, por onde passaram o rei Louis XIV e Catarina de Médicis.

Aix-en-Provence:

Hora de conhecer os magníficos Callissons de Aix! Se você é próximo da cozinha e tem intimidade com as panelas, tem receita dos Calissons aqui

 

Salon-en-Provence:

 

 

Então, encontramos Nostradamus…


Na próxima segunda, dia 23, em Viagem, tem mais Aix-en-Provence e na quinta-feira que vem, o final da carta e última parte! Não perde!

 

 

Provence parte 3 – Arles

Lyon, 3 de novembro de 2004.

A primeira parte da carta você encontra aqui e a segunda aqui

Abaixo a continuação!

Depois de Avignon seguimos para Arles. Uma cidadezinha minúscula de apenas 52 mil habitantes, mas super simpática. Arles foi onde Van Gogh morou junto com Gauguin, atraídos pelo sol da Provence. E quem agora lembrou dos girassóis… Acertou!  Os girassóis que ele imortalizou, são os da Provence!

Em Arles visitamos o “quarto” de Van Gogh e onde ele foi internado após ter cortado parte da orelha. Não, não fomos em um hospital. É que hoje, o local é a Fundação Van Gogh.

E como não poderia deixar de ser, a cidade tem muitas ruínas romanas. Fomos em uma arena que dizem ser um dos mais preservados monumentos da Provence romana. Cheio de arcos e colunas incrivelmente altos! Subimos até a fileira superior e apreciamos uma bela vista de Arles.

Até agora Arles foi a cidade com ruas mais estreitas que já vi. Parece um labirinto. Ficamos lá até anoitecer, quando partimos para Stes-Maries-de-la-Mer no litoral do Mediterrâneo.

Escolhemos um hotel, jantamos super bem (indicação do pessoal do hotel), demos uma volta pela cidade e fomos dormir. No outro dia, domingo, amanheceu chovendo e fazia muito frio, então decidimos seguir com nosso roteiro pela Provence.

Para quem gosta de detalhes, Stes-Maries-de-la-Mer significa Santas Marias do Mar e tem esse nome por causa de uma lenda que conta sobre a chegada de barco, em 18 d. C., de Maria Madalena, Santa Marta e a Virgem Maria. A cidade faz parte da região de Camargue.

Stes-Maries-de-la-Mer no litoral do Mediterrâneo!

Na próxima segunda, dia 16, em Viagem, tem mais história e fotos de Avignon! E na quinta, a continuação da carta! Não perca!

Provence parte 2 – Avignon

Lyon, 3 de novembro de 2004.

Clique aqui para ler a primeira parte da carta! E acompanhe abaixo a continuação!

Bem, saímos de Lyon direto para Avignon. Maravilhosa! A cidade é cercada por uma imensa muralha. Entramos direto em um estacionamento subterrâneo, através de uma passagem entre as várias que tem pela muralha, e para nossa sorte já estávamos na principal praça: a do Palácio dos Papas.

Avignon foi, entre 1309 e 1377, a sede da Igreja Católica e lá os Papas construíram um magnífico Palácio. Por isso a muralha em volta da cidade, era praticamente um forte militar. O Palácio tem dez torres e cobre uma área de, aproximadamente, 15 mil metros quadrados.

Hoje, o Palácio é aberto ao público para visitação e claro que entramos e conhecemos toda sua história. Adoramos! Para cada visitante é dado um “telefone sem fio” na língua desejada (a nossa foi espanhol, pois não tinha em português). Através do fone vamos ouvindo as explicações referentes a cada sala ou setor ao digitar o número correspondente. Muito legal!

Agora é para quem gosta de história: foram sete Papas que reinaram em Avignon, começando com Clemente V até Benedito XIII, este na verdade e seu antecessor foram considerados “antipapas” e ficaram em Avignon até 1403.

Gente, Avignon é um espetáculo! Eu confesso que me emocionei ao chegar e dar de cara com aquela grandiosidade. É uma cidade e uma história fascinantes, espero que vocês possam ter uma pequena idéia pelas fotos.

 

Não perca na segunda, dia 9, em Viagem aqui no Baú, mais história e fotos de Avignon! E na próxima quinta a continuação da carta!

Provence parte 1

Lyon, 3 de novembro de 2004.

Oi pessoal!

Segunda chegamos de nosso feriado na Provence. Pois é, resolvemos ir para o sul da França e não nos arrependemos, foi um fim de semana incrível.

O dia lindo que fez no sábado, revelou uma paisagem completamente diferente da que tínhamos apreciado em nossa última viagem. A Provence é cheia de campos verdes e grandes plantações por todos os lados. A agricultura é o forte da região. São famosos os vinhos da Provence, assim como as frutas e as ervas. Sem esquecer, é claro, dos famosos campos de alfazema e girassóis.

Não tivemos a sorte de ver os tapetes roxinhos de lavanda, o que acontece na primavera, mas conseguimos ver uma plantação de girassóis. É linda e inesquecível! E o mais interssante é ver no meio das plantações, isoladas, as casinhas de pedra com portas e janelas azuis. Aliás, as casas da Provence foram para mim uma das grandes surpresas, são quase todas com portas e janelas azuis, da cor da lavanda. Parecem saídas de uma histórinha de crianças!

Mas, voltando à paisagem, como pegamos muitas estradas secundárias, o que na França é recomendável, não só para fugir dos pedágios, mas também pelo visual, passamos por muitas cidadezinhas, vilinhas e alguns chateaus (castelos). Até avistamos aldeias em cima de colinas, que são muito comuns aqui. E um detalhe, as estradas secundárias são ladeadas inteiramente por plátanos.

Partiu Provence!!

E semana que vem tem mais, não perca a continuação…

 

 

 

Notícias rápidas de Lyon

Lyon,  29 de outubro de 2004.

Oi mãe!

Infelizmente não posso reenviar minha mensagem de novo, pois não ficam arquivadas aqui (ABOBADA!!!!). Tinham fotos e tudo! Mas tenho uma dica para recuperares: vai nos ítens excluidos, que fica escrito assim mesmo e está na esquerda da tela. Não é Excluir, é ítens excluídos! Se clicar ali, vai aparecer minha mensagem do lado direito, como todas as mensagens aparecem. Aí é só clicar nas duas que enviei ontem (uma de cada vez) e ler. Tem como mandar de volta para a caixa de entrada, mas prefiro que o Lucas se puder faça isso, ou então, deixa assim que eu faço quando voltar. Mas pelo menos vais poder ler.

Escrevi tudo que queremos fazer neste fim de semana e contei sobre uma briga que vi. Vê se consegue ler. E tem fotos em outro mail do museu de marionetes, que fui ontem.

Acabei de mandar um mail com três fotos para a Macao e dando os parabéns, é claro. Ela deverá te falar.

Hoje fui dar uma caminhada, porque queria achar um daqueles painéis pintados de Lyon que eu tinha visto o endereço num cartão postal de uma loja. Achei e tirei fotos, aí eu ía mais longe, mas caiu o mundo de água e tomei o maior banho até chegar ao apartamento.

Adivinha? O euro subiu. Olha que merda! Já estava tudo caro, agora piorou… Hoje de noite cortei o cabelo do Renato!!!! Ficou bom , ele também achou. Fui tirando aos pouquinhos. Passei no super e comprei um pente e aqui na cozinha tem uma tesoura super boa e voilá!!! Cortei!!! Sabe quanto cobram aqui? 26,50 euros! Ou seja, 96 reais. O canguinha nem pensou em pagar, me deu a tesoura!

Eu nem te contei que chegou no início da semana aqui no apart hotel, um argentino que vai começar na Koyo (da Argentina). Hoje saiu para jantar conosco. O problema é que ele já estava desde sempre, perguntando pro Renato o que iria fazer no fim de semana…. Bem, hoje ele saiu conosco, super simpático, mais jovem que o Renato (mas não parece, ele tem 39) casado, duas filhas, pelo que entendi super viajado. Aí eu pensei, pô! O cara não vai ter a cara de pau de se convidar para ir conosco viajar…. pois ele teve!! Falou que se quisessemos alguém para “compartir”. Olha que merda! Eu não disse nada, o Renato também não, só disse que se ele quisesse nosso carro, poderia ficar. Aí ele disse que “solo não”, só se estivéssemos juntos!! E ficou com cara de coitado! Olha que chato! Não precisa dizer que eu me arrasei, não que eu quisesse levar o cara, não quero, mas pela situação chata que se cria, entende? Eu não pensei que ele vendo a gente, um casal, quisesse ir junto….

E olha que levei ele numa praça super linda que tem aqui perto, mostrei mapa de metrô, museus, mostrei a passarela para atravessar o Saône, tudo para poder animar o cara a ficar em Lyon nesse feriado para conhecer. E não deu nada certo minha estratégia!

Bem, tô escrevendo rápido então deve estar cheio de erros, pois não vou reler, porque já é tarde aqui são 24h35 e temos que arrumar as coisas para amanhã.

Mãe, tu trabalha segunda até que horas?

Pode me escrever que eu leio no café da manhã, amanhã. O que vai fazer no feriado? E os guris?

Mil beijos, saudades, te amo

Dani

O casal cara de pau que não quis saber da companhia do hermano…

Museu de Marionetes em Lyon

Lyon, 28 de outubro de 2004.

Oi mãe!

Tudo bem por aí?

Hoje fui a Vieux Lyon no Museu de Marionetes. Aqui é bem famosa as marionetes chamadas Guignol (um cara inventou no século 18). Os bonecos tem mecanismos e se movem. Foi bem legal, mas não aprendi muita coisa, só pude observar e achar os bonecos bonitos e bem feitos. Porque o Museu era falado e não escrito, em francês. Não que eu leia em francês, “tá se fazendo”, mas a gente sempre entende alguma coisa, né? Agora largaram um francês a falar o tempo todo através de uma gravação… aí fudeu! Não entendi nada. Trouxe os folhetos para ler com o Renato em casa! Hahahahaha! E paguei 5 euros pela porra! Mas tudo bem!

Mas o melhor de tudo foi o espetáculo, de graça, que vi na rua. Antes de mais nada, quero saber se os Goes não tem descendência francesa, pois o povo aqui gosta mesmo é de uma briga. Lembra que eu contei que vi uma moça sentar a mão na cara do namorado? O Renato presenciou uma briga de trânsito entre seu motorista e outro cara. O cara saiu do carro e quase foram às vias de fato. Outro dia eu, andando pela rua, também vi uma briga de trânsito em que as mulheres sairam do carro e bateram a maior boca, no meio da rua. Tudo aos berros, a sensação que temos é que vai rolar tapa. Porrada!!

Pois hoje eu vi tapas e socos!! Um casal estava carregando seu carro estacionado, quando bateram a porta, sem querer, em um cego que estava descendo a rua. Bem, o cego se parou aos ponta pés no carro, prensou o cara entre a porta e o carro e fechava a porta em cima do cara. Gritavam, acho que o cara dizia que não o tinha visto, a mulher chorava e todo mundo olhava, inclusive eu. Aí o cego saiu e eles atordoados viram que o cego tinha amassado a porta e ela não fechava mais. Pra que!! O cara saiu correndo até a esquina atrás do cego, catou ele pelo cangote, se tapearam e se socaram. Aí o cara agarrou o cego e levou até a polícia que tinha bem em frente. Entrou no prédio com o cego pela mão. Depois a mulher entrou atrás deles.

Mãe, já imaginou? E eu e todo o povo (o cara do crepe parado do meu lado) olhando aquele barraco internacional. Fiquei besta. Até comi um crepe para acreditar no que tinha acontecido, fui obrigada! Aqui é assim. O povo gosta de brigar, é impressionante.

Pretendemos ir para umas seis cidades na Provence (sabe como se diz? Prrovãnce!!! hahaha). É lá que tem os campos de lavanda= alfazema, mas acho que nessa época já teve a colheita, mas mesmo assim, deve ser lindo. Aqui tem uma loja com artigos de lá e tem muitas coisas liiiiiindas, vários raminhos de alfazema. Lá é tudo roxinho e branco. As cidades são Avignon (onde tem o Palácio dos Papas do século 13), Nimes (onde tem a Pont du Gard, um aqueduto romano), Arles (Van Gogh morou lá e tem arenas romanas também), Sait Paul de Vence (diz que é uma cidadela medieval charmosíssima), Gordes (que dizem ser uma das mais belas aldeias de Provence, no alto de uma montanha), Grasse (a capital do perfume), Aix en Provence (diz que tem feiras livres com doces de marzipã e melão, sentiu?). As fotos que tem da Provence são maravilhosas, vamos ver.

O Gordo escreveu dizendo: “maravilha! Estou babando pelas fotos!”

Acho que ele gostou! E hoje mandei outro mail pra ele!

Bem, amanhã escrevo mais!

Mil beijos, Saudades, te amo

Dani

Nota: O Guignol é um personagem inventado em 1808 por Laurent Mourget – um tecelão desempregado que decidiu tornar-se dentista por conta própria para ganhar alguma renda. Diz a lenda que viajando de cidade em cidade com seu boticão de extrair dentes, muitas vezes os pobres pacientes de monsieur Mourget fugiam assustados de seu consultório improvisado ao ouvir os gritos do paciente que estava sendo atendido. Para evitar perder a freguesia, o criativo Mourget criou um bonequinho à sua semelhança para divertir as pessoas que estavam na sala de espera enquanto ele trabalhava. O Guignol (o tal bonequinho de Mourguet) tornou-se tão popular que ele acabou optando por deixar de lado a profissão de dentista, para se tornar um famoso manipulador de fantoches. A idéia acabou se espalhando e passaram a existir muitos Guignols pela França. Você encontra mais informações aqui no site do Museu