Livro de Crônicas

Você que me segue no blog, provavelmente já leu alguma de minhas crônicas! Pois ano passado, em setembro, foi lançado meu primeiro livro! Se você tiver interesse em adquirir  “Não sou Moderna – confissões, histórias e outras crônicas” , ele está disponível no site  da Amazon.   

Ou também pelo site da Editora DTX.

Aqui você terá oportunidade de assistir uma entrevista minha sobre o livro!! Dê uma olhada!!

 

Super Poderes

Muito tem se falado no feminismo. E com toda razão. O mundo rodou, rodou e parece que não entenderam qual o valor das mulheres. A sociedade caminhou, andou e evoluiu, mas igualdade ainda é só um verbete do dicionário. Mas isso rende tratado. E estamos falando de crônica. O fato é que, se ontem queimaram os sutiãs, hoje eu queimo a mufa. E torro a paciência do mundo. Principalmente de quem está ao meu lado, na frente, atrás, na diagonal, em cima e embaixo.

Quando ouvi falar pela primeira vez em empoderamento feminino, fiquei tão fascinada, que só consegui pensar em super poderes! O que eu não faria com eles? Pra começar, resolveria minha vidinha, no mais estilo self egoísta euzinha. Gente! Não quero discutir ou polemizar sobre o papel da mulher na sociedade. Nem tenho argumentos para tal. Mas na minha pobre vida, quem manda sou eu. No meu quadrado, quem entra sou eu. As minhas contas, quem paga sou eu. E somente eu, essa pessoa que vos escreve, é que sei onde meu calo aperta e dói. E como dói!

Não seria nada mal entrar todas as manhãs na Sala da Justiça e me travestir de Super Heroína. Batman, Super Homem e Homem Aranha que se cuidem, estou chegando! A Super Mulher empoderada até os dentes (perfeitos, brancos e alinhados, aliás) tá na área, e na cozinha, na copa, no quarto e no escritório também! Para começar, teria um uniforme bafônico, porque sou ligadinha no mundinho fashion e nas semanas de moda mundo à fora, e já chegaria chegando com toda a classe e categoria no maior estilo “me posicionei e causei”! Além disso, cheia de opinião e muita decisão. Um luxo! Dez em todos os quesitos! Cadência, harmonia e alegoria.

Continuando. Meus poderes? Todos os que realmente me fariam uma unanimidade, uma deusa, uma rocha. Salvaria os fracos e oprimidos? Não. Os fracos que se fortaleçam! E os oprimidos, que se rebelem e se mexam! Faça pela vida, ô meu!! Velocidade acima do normal? Sem dúvidas! Esse poder é imprescindível. Correr para trabalhar. Correr para levar os filhos na escola. Correr para levar o cachorro para tomar banho na pet. Correr para a reunião com o gerente da conta avermelhada do banco. Correr para o dentista e ainda correr a meia maratona da cidade! Poder perfeito! Medalha de ouro! Nadar como o Aquamen? Não, se a água está fria, nem banho quero tomar. Abafa, mas não vejo vantagem. Subir pelas paredes como o Aranha? Só em noites quentes, se é que você me entende…

Poder de se multiplicar? Quero também! Quer dizer, necessito! Compro material de construção, cimento e areia, e ao mesmo tempo faço a tarefa de matemática com o filho. Arraso na apresentação do escritório, enquanto escolho os tomates perfeitos para o molho do macarrão. Receita ótima que aprendi com a vizinha. Desfilo aquele vestido novo e faço uma faxina que é um espetáculo enfiada na legging mais velha que tem no armário, com muita dignidade! Limpo as pratas. Faço planilha no excel. Dou remédio, arrumo o curativo e queimo a mão no forno. Frito o peixe de olho no gato. Nem a Mulher Maravilha têm essa manha toda. Mas no maior exemplo de sororidade, ela vai me aplaudir e dar tapinhas nas minhas costas. – Miga, sua loca, tamo junto! Nós somos demais! Vai me dizer.

Pensando bem e refletindo sobre o tema:  não é que já fazemos tudo isso?! Somos heroínas com a roupinha normalzinha nossa de cada dia. Quem precisa daquela cafonice de cinto de utilidades, quando temos uma super bolsa de mãe que cabe escova, brinquedos e um par de meias?? Quem precisa entrar na Sala da Justiça, quando temos nosso teto, nosso trabalho, nossa selva particular e uma cabeça pensante? Quem precisa de força extra, quando já matamos, a unhas vermelhas e bem lixadas, uns três leões por dia? Sem mencionar os quatro abacaxis descascados de hora em hora… Quem aguenta tudo? Quem dá conta de tudo? Quem tem instinto? Quem tem intuição? Quem dá um beijinho num machucado e inicia o processo de cura? Quem tem o poder do afeto nos braços e nas palavras? Quem está na dor e alegria de ser o que é? Agora, me responde: quem é super herói aqui?? Somos nós. As mulheres. E esse é nosso empoderamento. Agora só falta a vilania toda compreender nosso valor. Super fêmeas ativar!!

 

 

 

Adolescer

Como tudo nesse século, até a adolescência querem antecipar. É a tal da pressa em chegar não sei aonde. Nas rodinhas de mães que frequento, é normal e corriqueiro ouvir a frase “tá tudo muito rápido hoje em dia!!” Também pudera, os pais decidiram que os filhos tem que se desenvolver!! Tem criança solta pela internet até a madrugada. E online!! Querem o que? Sem querer querendo, estou julgando esses progenitores permissivos.

Outro dia, a filha de nove anos de uma amiga deu um xilique daqueles e sua avó me olhou bem séria e disse: é a adolescência chegando! Não, minha senhora, é falta de educação mesmo! Essa adolescência aí, acaba num bom canto do pensamento! Limites exterminam a birra dita adolescente em dois tempos! Desde quando garotas dessa idade estão adolescendo?

Desde que o mundo perdeu a noção do tempo e do bom senso. Agora é moda? É legal ter filho adolescente? Juro que não estou entendendo. Na sala de aula de minha filha tem uma colega que faz tutorial de maquiagem pela internet. Não, ela não assiste os vídeos. É a própria quem produz e ensina. Semana passada fui obrigada a ver, porque tive uma festa e não sabia como usar o delineador. Olha… A garotinha é um espetáculo! Dez anos de puro conhecimento da cosmética. Só me preocupa o que será daquele rosto angelical quando ela estiver na minha idade! Se bem que a mãe dela deve ter muita esperança no avanço da indústria da beleza!

As fases da vida estão sendo comprometidas e atropeladas por novos padrões. A sociedade secreta em que vivemos está impondo esses novos paradigmas. Para a lei, esse período de transição entre a infância e a idade adulta, vai dos 12 anos aos 18. Mas como burlar a lei no nosso país também é moda, reparei que está começando com cinco anos e, em muitos os casos, não tem idade para acabar! Ad eternum.

O marido de uma conhecida, advogado, pai de família de três filhos, na casa de seus quarenta, na certidão de nascimento, que fique claro, me surpreendeu profundamente outro dia. O cara construiu uma pista de skate no quintal de casa e tem feito umas reuniões grunge, no maior Seattle style. Sem ser preconceituosa, cada um faz o que quer, como quer e onde quiser, é que soube que as filhas queriam uma casinha de bonecas e perderam a chance para o melhor half pipe da vizinhança. Pra ser honesta, o único. E também não tem mais piquenique com a garotada, o negócio agora é bermudas com camisa xadrez enrolada na cintura e Nirvana no talo! Toda a sexta-feira.

E segue a adolescência. O problema que percebi nessa família, é que anteciparam a adolescência do filho mais velho, um menino de onze anos, que se encontrou com a adolescência do pai. Na verdade, se chocou. E deu ruim! Estão disputando as roupas, as músicas, os amigos e os hormônios! Tá complicado! No último torneio de skate que rolou na cidade, competiram entre si e brigaram feio. Assisti a discussão entre os colegas, mas confesso não ter entendido direito. Eu ainda não ganhei um dicionário das gírias de hoje em dia.  A esposa/mãe acabou levando os dois pra casa e pôs de castigo! Ficaram uma semana inteira sem seus skates, pensando no que fizeram.

E daqui em diante, pelo jeito, será assim. Sem mais se basear em dados, em conceitos ou normas, tudo sendo resignificado, realidades modificando e vale-tudo. Daqui a pouco teremos o veredito da Organização Mundial da Saúde, reclassificando o período, e as fases, para: cada um decide o seu e salve-se quem puder!

A propósito, quem souber o que é poser, tiltado e flop mande cartas para a redação. Vai me ajudar a entender o mundo adolescente.

 

Reflexões

Fico pensando porque os jovens tem tanta pressa. Uma urgência quase doentia e sem explicação. Eu sei que o tempo passa de maneira diferente para todos nós. Em cada fase da nossa vida, o relógio gira em um ritmo. Ora muito devagar, ora acelerado feito pá de ventilador. Para certas pessoas gira até anti-horário. Tudo é relativo, já dizia aquele senhor abusado botando a língua para a sociedade. Mas precisa ter tanta ansiedade? O jovem quer fazer tudo rápido, não pode esperar e acha que não tem todo o tempo do mundo. E além disso, tem mais o que fazer!

O sobrinho de uma amiga minha com seus super vividos e experientes vinte poucos anos está a procura de emprego. O primeiro. Quer dizer, como empregado de alguém, porque já teve seu próprio negócio. Já empreendeu. Sabe como é, tem que partir para ser dono de seu próprio nariz ou negócio. Ou ambos. Mas o que aconteceu com a empresa mesmo? A crise, ele responde.  O garoto, diz que até mesmo os grandes empresários do país estão sofrendo, imagina eles, os pequenos, ou médios, sem incentivos, financiamentos, impostos estratosféricos, a bolsa de valores de Xangai, o Dow Jones (não sei quem é, nem o que canta!!), a febre aftosa e por aí vai. Nossa! Rendeu uma noite inteira de aula de economia. E eu? Burra que só, fiz a minha mais bela cara de entendida…

Perdi esse trem. Nem sei em que estação ele passou. Minha geração Coca-Cola fez outra coisa. Nossa turma pegou a marola. Na verdade só sentiu. De longe. Talvez o cheiro. Mas não nascemos nessa era moderna digital. Nem econômica. Nem de autonomia. Muito menos de pequenas empresas, grande negócios. Nossos sonhos foram outros. A nossa pressa também. Sim, também já tive pressa. Deixa pra lá. Acho que todos tivemos. Não vou falar disso. Não tenho procuração para falar de meus iguais.

Voltando a história, o rapaz contou que mandou currículo pelos mais variados meios de comunicação, que hoje chamam de mídias sociais. Novidades para mim. Esperou um dia apenas e partiu para o ataque. Incrível! Um dia? De vinte e quatro horas apenas?  Até nem sei se hoje os dias tem mais horas que os de ontem, ou outrora. Confesso que fiquei bem chocada. Não existe esperar a resposta. Existe ir pascabeça! Quer meu serviço? AAAA! Não quer? Tem quem queira! Ual!! Nunca tinha visto tamanha confiança! Ousadia ou pretensão? Responda se for capaz. Eu não sei dizer. Não sei mesmo! Nem pretendo julgar! Só me espanto. E reflito.

No século passado não fazíamos assim. Ficávamos sentados à espera de um telefonema (quase piada hoje em dia esse negócio chamado telefone fixo – peça de museu), muitas vezes agarrados à oração da Santa Edwiges, vela acesa e focados no pensamento positivo! Será que fui bem na entrevista? Será que me saí bem no psicotécnico? Desenhei o chão da casa? Caraca não lembro!! Botei olhos no meu boneco de palitos? Também não lembro! To ferrada! E minha roupa, foi adequada? Esqueci de passar o vinco da calça!! Juro que se der ruim, nunca mais chego perto de um ferro e vou gastar minhas economias para comprar um guia de moda da Célia Ribeiro! Essa era nossa dura realidade. Desistíamos após um mês, ou dois, se não nos chamassem de volta. E trocávamos o Santo. Isso sim com muita urgência!

O primeiro emprego sempre demorou para nossa galera. Não raro vinha com o primeiro fio de cabelo branco arrancado numa crise de raiva! Ódio do mundo! Ódio do entrevistador que não foi com nossa cara. De pau. Mas quando a carteira de trabalho ganhava o primeiro autógrafo, agarrávamos amor por aquele lugar e só terminávamos o caso de paixão quando demitidos. Agora não é mais assim. Também mudou. É o empregado que tem que pegar afeto no patrão. Caso contrário, é tchau e benção! Não tem certo, nem errado. Tem diferença. Outros tempos!

Ninguém se prende, nem se rende, nem mente. É pá, pum! Foi, não foi! Quero ou não. Corro, porque tudo é pra acontecer ontem. Um toque de dedos em aplicativos ultra modernos e fazem o mundo acontecer e as horas passarem. Semideuses. Comandam o tempo e a vida. Pressa. E nós? Bora tentar nos adaptar. Eles podem. Ele são os Milleniuns e nós, os Veleniuns!

Tempo

O que acontece no mundo, por que a pressa? Entendo que as coisas hoje em dia se justificam na correria. Todos temos muito o que fazer, sem tempo a perder e pouco tempo para viver. Tempo, tempo, tempo. Ouço muito as pessoas reclamarem de que ele está rápido, passa depressa. Os anos voam e nós vamos voando junto. Muitas vezes sem mesmo saber pra onde, mas deixa prá lá. Vambora!

São compromissos, responsabilidades, rotina, agenda, vai-e-vem, prazos, dead lines. Não conheço quem não se questione sobre a rapidez com que tudo tem acontecido. Já ouvi teorias baseadas na física quântica, na relatividade e até mesmo na filosofia para tentar explicar o porquê desta sensação de velocidade. Mas, cá entre nós, estamos provocando os ponteiros do relógio com deboche e ironia. E não sei se Sócrates ou Platão entenderiam. Só sei que eu não entendo!

Corremos o dia todo, a semana toda e o mês inteiro para ao final encher a boca e dizer: o fim do ano chegou! Já reparou como gostamos de concluir que fechamos um ano e declarar que o final do ano está aí? Incompreensível. Seria este nosso troféu? Seria a conclusão perfeita de uma maratona? Nossa linha de chegada, a finalização. E sem sentir, talvez sem querer, estamos provocando esta pressa de que tanto nos queixamos. Refletindo sobre o tema, perceba que inconscientemente aceleramos os anos cada vez mais, para chegarmos sãos e salvos ao pódio.

Nossa folhinha está diminuindo muito depressa. Alguém me responde: por que em pleno mês de setembro já tem artigos natalinos à venda? Por que já dei de cara com pinheiro de Natal e luzes pisca-pisca? Encarei um panetone ontem mesmo. Qual o motivo de antecipar a festa deste jeito? Ano passado reparei que o clima apareceu somente lá pela segunda quinzena de outubro, pois agora o Dia das Crianças foi atropelado na maior cara de pau!! Como assim? Oi?

Que ansiedade é essa que faz com que apressem o Natal desse jeito. Definitivamente por que antecipar assim? Não sei você, mas eu me sinto arrasada. Dar de cara com o Papai Noel antes de dezembro é muita pressão. A figura dele em setembro me faz sentir que estou atrasada. Tipo, eu não dei conta do ano! Já chegou o Natal e eu não dei conta! Só que a culpa não é só minha, é nossa. É com nossa conivência absoluta.

Permitimos. Damos autorização. Fazemos pior, vamos lá e compramos uma lista de presentes. Reclamamos, reclamamos, mas bem que gostamos de anunciar o final do ano. Planejamos as férias, organizamos a ceia, pensamos na festa, passamos a régua e fechamos a conta. Estamos malucos! Nós estamos fazendo o tempo voar, vivendo sempre com um pé no futuro. Sabe, honestamente, o que parece? A cenourinha na frente do burrico. E nós feito loucos, tentando alcançá-la. Lamento informar, mas não conseguiremos nunca, ela sempre estará na frente. E enquanto isso, fazemos a Terra acelerar. Roda mundo!

Que tal tentar viver o hoje, o agora, o momento? No máximo, pensar no almoço do próximo domingo e não no tempero do peru assado. Garanto que nem ele está preocupado ainda com o Natal, afinal, ele só vai ficar apreensivo na véspera. Não é isso que dizem? Daqui a pouco sem nos darmos conta, vamos riscar setembro, outubro e novembro do calendário e talvez emendar dezembro com a Páscoa e juntar de vez o Coelhinho com o Papai Noel! Não acho que terá graça. E garanto que as crianças também não vão gostar.

Não quero mais isso, não quero me sentir atrasada! Eu não estou! Acabamos de entrar na primavera povo! Quero aprender a viver, quero evoluir e crescer, mudar minha postura e melhorar. Prometo que vou tentar cruzar a minha linha de chegada ao final de cada dia. Viver um bom dia, cumprir de maneira bem bacana ao que me proponho ao colocar o pé no chão de manhã. Respirar calmamente. E no final, depois de ter sido uma pessoa legal, encontrar a família com sorriso no rosto e correr pro abraço. Comemorar o primeiro lugar todos os dias! A gente não precisa de teorias científicas para explicar o tempo, a gente precisa de poesia. E calma, muita clama nessa hora.

Aproveitando o meu tempo, assisti um desenho da Mônica com minha filha e aprendi uma lição: faça o tempo, mude o tempo e não esqueça que o tempo tem o tempo que tem que ter. Bem simples. Como só as crianças sabem ser.

Spam

Fiz um descobrimento terrível sobre minha pessoa. Por essa não esperava. Estou chocada, arrasada e não sei como resolver. Não sei se entro em depressão ou parto para o surto psicótico de uma vez. Tipo, vamos logo atalhar o caminho. Partir para gritaria. Ou porrada! Ou os dois!

Levei anos construindo minha imagem. E ponha muitos anos nisso. Passei dos quarenta tem um certo tempo. E não é a do rostinho bonito que estou falando. Esse infelizmente estou tentando até agora com a ajuda da estética e da dermatologista. Atenção doutora Cláudia! O ácido hialurônico venceu. O botox também. Junto da juventude, definitivamente! Desculpe, mas não pude deixar de aproveitar a mídia para fazer contato e a confissão…

Voltando ao assunto. Descobri que minha credibilidade como pessoa humana-mulher-mãe-profissional está arranhada e manchada pelo tipo de email que venho recebendo. Proposta de banco? Não! Novos cartões de crédito? Também não! Cartões de felicitações por ser a mãe do ano? Esse nem da própria família (#ficaadica)! Nem carta eu recebo mais. Em compensação, não sei o que andam falando de mim ou, pior, o que eu fiz para merecer isso. Comecei a notar uma certa insistência de alguns remetentes e umas mensagens repetidas. E todas de gosto bem duvidoso ou pelo menos duvidando do meu. O que meu deixou bem nervosa. Quem pensam que sou? Onde foi que eu errei?

Para começar estão duvidando da minha inteligência. Agarro ódio em quem subestima meu QI tomando por base a cor de meu cabelo. Sim, sou loira. Sim, intensifico a cor numa boa tinta de salão. E por último, sim, isso não define minha sapiência. Para seu conhecimento, caro leitor, me formei em primeiro lugar na faculdade! Dito isso, quem acha que preciso de técnica para ler cinquenta livros por ano, não me conhece. Posso ler muito mais, se eu quiser! Sou uma leitora assídua e milha família também. E mais! Entendo o que estou lendo. Não ligo o piloto automático, como sugere o email. Leia mais treinando doze minutos por dia! Ora! Isso é uma afronta a qualquer pessoa alfabetizada! E seu eu tiver esse tempo sobrando, com certeza não será para treinar a leitura e sim, para apreciar e saborear uma boa obra! Não gosto de tratar da literatura como uma aula de musculação. Muito embora, fortaleça nossos músculos do cérebro e do coração.

Aí, todas as manhãs, me chega o mesmo email propondo uma fórmula mágica de emagrecimento. Mais de quatorze quilos em dois meses! Abro o maldito, absurdamente curiosa, porque pensei que estavam me oferecendo uma cirurgia bariátrica, claro. E para meu espanto, vejo que são gotinhas de sei lá o que! Como assim? O que tem ali dentro? Para fazer a criatura desaparecer em dois meses, imagino somente uma alternativa: veneno, mata a pessoa e ela seca! Óbvio! Isso não é crime? Como pode? E a pergunta que não quer calar, por que estão mandando isso pra mim? Estão achando que estou obesa? Com que direito?

Mencionei as mensagens que me deixam bem nervosa e agora vou te contar das que me apavoram de fato. Clube do Swing! Isso mesmo! Você leu certo. Todos os dias da semana recebo os convites para a segunda-feira das segundas intenções. Para a terça da menage. Para a quarta hot. Quinta sensual. Sexta erótica. Sábado sexy. E domingo, não chega. Provavelmente porque os caras morreram de tanto sexo. Jesus! Sou uma classe média típica, burguesinha, de fino trato e casada com o mesmo marido há anos. Como estou recebendo isso? Com vergonha, muita vergonha! Antiquada? Pode ser! Careta? Quem sabe! Mas não gostaria de discutir minhas relações no Outlook. Isso, com certeza, não! E tirem as crianças da sala que o assunto pesou.

Para finalizar meu tratado de ódio, abro, irritadíssima, uma mensagem que diz “tesão de vaca”! Que diabos seria isso? Socorro! Aparece uma mulher do naipe boazuda, tipo aquelas de reallitys, com mais curvas que a Serra do Mar, vestida numa lingerie vermelha de rendas como uma cancan francesa e um chapéu de cowboy na cabeça. Se não fosse o assunto ser tão deprimente, eu morreria de rir da cafonice do figurino! Agora, pensam o que de uma mulher com tesão de vaca? Nunca ouvi falar na minha vida de que vaca é um ser hiper mega sexual! Nunca! Tadinha! Aquela figura gordinha, calma, serena, ruminando sem parar seu pastinho na maior calma e tranquilidade do mundo! Não passa pela minha cabeça a vaca subindo paredes de tesão pelo seu touro! Sinceramente, não só estão ofendendo as mulheres, mas, principalmente, as vaquinhas! Sugiro uma manifestação pública já!

Definitivamente eu não sei onde andei deixando meu endereço eletrônico, mas acabei com minha reputação. Perderam o respeito por mim! Ligo meu computador e me sinto o próprio spam.

 

Vizinhos quase famosos

Quem acompanha o blog lembra que já escrevi sobre a falta de respeito da vizinhança, aqui! E não é que o assunto continua na moda? Não que eu queira, e acredite, não quero nem um pouco. Acontece que por culpa de um mercado imobiliário volátil como esse do nosso país, as figurinhas se modificam na pessoa física e nas incomodações. A rotatividade da vizinhança é tanta, que a única bolha imobiliária que vou conhecer é da minha própria casa. Vamos nos isolar, ensacar o lar e tentar viver em paz.

E a renovação dos adjacentes se mostra cada vez mais interessante. Devo confessar que está ficando bem curioso. Começo a pensar em um estudo antropológico sobre o assunto. Outro dia mesmo, ganhamos nova companhia na fronteira. O novo vizinho tem nos propiciado momentos hilários. O cara faz a linha easy rider, só que um hells angels um pouquinho passado na idade. Sem preconceito, só constatação. Com uma motocicleta maior que ele, se acha selvagem, aventureiro. Tem desfilado pela rua com aquela roupa preta de motoqueiro de globo da morte de circo do interior. Calor de 40 graus e o boy magia todo mascarado, enfiado no couro, capacete reluzente e botas inacreditavelmente pesadas e cravejadas de taxinhas prateadas. Praticamente um integrante da banda Kiss. De moto. E sem maquiagem. Eu acho…

Até aí tudo bem. Engraçado. Figura esquisita para minha mente burguesa, classe média, vidinha normal, rotininha mansa, carro popular indo pra lá e prá cá. Só que não. A graça de ser o Dennis Hopper tupiniquim é acelerar. Fazer barulho. Qual a emoção se o acelerador for de uma mobilete capenga? Tem que ser algo parecido com uma Harley Davidson!! Sim, você pensou certo. O motoqueiro fantasma daqui do meu lado, não tem a icônica máquina. E também não pergunte qual é a dele, porque daí é demais. Tititi e bisbilhotice têm limites. Bem, pelo menos pra mim. Só sei que é um liquidificador amplificado no grau máximo! Insuportável!

E moto entra na garagem, moto sai da garagem. O vizinho aposentado, avô de dois netos, todos os dias sai para uma volta pelo deserto da Califórnia, na rota 66, com a trilha de Jimi Hendrix ao fundo. Isso penso eu, fofoqueiramente olhando a cena da janela. Daí minha imaginação cinematográfica rapidamente é interrompida por um grito! Caraca! O Peter Fonda caiu na nossa frente, dentro da própria casa e com a moto desligada!!!! O que? A pessoa ao sair se embretou entre sua moto e o portão. Simples assim. Besta desse jeito. E gritou para sua esposa salvá-lo, porque não conseguia se mexer! Ele não sofreu nada. Também, nem poderia né… Mas eu fiquei profundamente frustrada com o protagonista da fita que rodava na minha cabeça. O cara nem para fazer onda serve. Didi Mocó total!

E o Bob Marley do outro lado da minha casa? Perguntam meus leitores. Esse continua na paz e amor! Casou com uma versão loira de Rita Lee com Janis Joplin, e só love, só love! Rola uma nova edição do Woodstock logo ali, mas não incomoda ninguém. Até o cachorro é zen! Preciso ainda combater o cheirinho de mato queimado que vem de lá vez em quando, mas o que não faz um bom incenso, bem forte de canela ou alecrim, não é verdade? Vivemos e convivemos muito bem com a comunidade hippie que ele criou.

O porém, e sempre tem um porém, é que se eles são chatos, perturbam a ordem do bairro ou desrespeitam a comunidade, eu resolvi fazer um momento limonada! Se eles enchem o meu saco, eu me divirto! Meu copo será de metade de água, e não quase vazio. Bolha? Nem no pé. Não vou eu me mudar para o meio do mato, se o povo não sabe conviver. Não vou mesmo. E com o pensamento de que o errado é ser normal, entrei na vibe, botei reparo na tribo de moradores-nômades e descobri que Hollywood é logo aqui, bem ao lado da minha porta! E com o entretenimento garantido estamos todos só na pipoca e tranquilidade! Chorar? Só se for de rir!

Sonhos de uma tarde de verão

Andy Warhol, ícone da Pop Art americana, profetizou certa vez dizendo que “um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama”.  Nesses tempos de tantos realitys, nem ele imaginou que estaria tão certo. Eu mesma, que não sou ninguém já tive o meu. Bem, quase.

Quando era adolescente morava num bairro classe média, família e ao mesmo tempo, super alternativo na cidade, uma capital.  Esse termo na década de oitenta, significava o mesmo que os descolados de agora. Mais ou menos isso, com algumas ressalvas, é claro. Sublinhe na sua leitura, década de oitenta! Vou tentar explicar: onde circularam as primeiras tatuagens, os primeiros cabelos moicanos e nasceu o rock local. O bairro era uma grande garagem. Tinha até uma tentativa de punk. Digamos que, um pouquinho longe da Inglaterra eles mais pareciam uns mendigos vestidos de zumbi, mas bora lá. Era  o que tinha. E eram respeitados como tal. Galera altamente revolucionária. Até hoje não sei exatamente a função deles no meu bairro, nem a utilidade, quem eram e o que comiam. Muito menos o legado. Talvez só para dar susto nas velhinhas da vizinhança mesmo. Mas foram importantes para o cenário.

Minha família morava em um pequeno prédio no coração do bairro. Um belo dia demos de cara com novos inquilinos no apartamento do primeiro andar. Uma mãe com seu filho único, outro adolescente cabeludo! Juntando com meu irmão mais velho, somavam-se quatro no edifício. Praticamente uma quadrilha! Mas dado os acontecimentos da década, poderiam ser, quem sabe, uma banda de rock?! Ual!!!! Essa foi nossa surpresa ao saber que André – o tal vizinho novo, era roqueiro e até já tinha seu grupo musical!

Espalhei a notícia entre minha corja feminina numa boa premonição de meu futuro jornalístico (quem me chamar de fofoqueira vai se afogar no próprio veneno) e num bom português, tivemos um surto! Naquela época ser próximas dos próximos quem sabe, e talvez, stars, era como se hoje fossemos próximos dos próximos celelebs! Entendeu? Eu também não! Para traduzir: se encostar em quem faz sucesso é puro interesse e as vezes sobram luzes para nós também! Isso acontece desde que o mundo é mundo! Ou você acha que Moisés não se encheu de melhores amigos de infância depois de fazer aquele lance com o Mar Morto? Não sejamos ingênuos! Diga-me com quem andas que te direi onde vais, com quem vais, quando vais, etc. Networking.

O fato é que meu irmão não deixou minha gangue noventa nem nossas absurdetes, entrar na turma! Nem se aproximar! Coisas de amor fraternal! Tipo cada um no seu quadrado. Mas como sempre fui atrás de um bom furo de reportagem (de novo não pense em fofoca!!) escutei atrás da porta, que a banda do tal André, estava precisando de um vocal!! Pra que! Era a nossa chance de escrever o nome no topo da lista Billboard! Jurei que seria a Paula Toller do bairro. Já estava me vendo no Globo de Ouro! Treinei minha letra para dar autógrafos. Em tempo: isso é o avô da selfie!

Armamos um plano, porque estratégia é tudo para o sucesso, e botamos pra quebrar! No caso quebrei minha mãe, coitada! Quase fali ela! Convidei todas as minhas amigas para almoçarem na nossa casa por uma semana inteira!! Saíamos da escola correndo pelas ruas com nossos siders Company, tirando lenços de bandana da Company de dentro da mochila Company e amarrávamos na testa para ir entrando no clima e estilo rock and roll! Adentrávamos meu prédio já afinadíssimas como umas taquaras rachadas e em altíssimo e bom som, afinal precisava entrar na sala de estar do apartamento 23, soltávamos a voz: fazer amor de madrugada, lá, lá, lá…. Foram sete dias assim. Mentira. Lembrei que foram só cinco. Pausa para o final de semana.

Resultado? Nada! Uma semana e o convite para vocalista não chegou! Nem backing vocal. Nem pra produção. Nem pra carregar caixa de som. Nada! Bem, chegou uma reclamação escrita do condomínio clamando pela ordem e pelo respeito à lei do silêncio! Castigo à vista! Perdi a festa do Sunday da Cidade naquele domingo!

Passados alguns dias, ouço passos na escada, tipo Ritchie, e toc, toc, toc na porta. Antes de entrar na estrofe, vejo a porta abrir… olho mágico: André!!! Caramba! Deu certo! Funcionou! Tanta gritaria não foi em vão! Perder a mesada também não! Levar minha mãe a falência, a gente deu um jeito! Pensei na roupa que me apresentaria no show! Calça bag da Philipe Martin ou semi-bag da Zoomp?? Depois eu vejo… jaqueta neon verde limão, será? Pensei na Blitz! E esse meu cabelo, corto ou não? Pra quem vou dar os convites do show? Não vou convidar a Cláudia, ela duvidou do nosso plano! Bem feito pra cara dela.

Respirei fundo e abri a porta com meu mais lindo sorriso metalizado de aparelho da década: oooooi! Ele: teu irmão está em casa? Eu: só isso? Ele: como assim? Eu: nada não, ele não está… Ele: tchau!

E foi assim que meu sucesso aconteceu e terminou. Numa linda tarde de verão eu bati lá no Rock in Rio 1985 e voltei. Pensamentos contam como meus quinze minutos de fama? Quis me esconder de vergonha. Pensei em virar punk da periferia, mas até eles moravam ali pertinho. Coloquei meu disco do Dire Straits, chorei e fui escorregando encostada na porta até o chão. No melhor modo novela das oito em versão para adolescente frustrada. E na mesma rapidez que fui estrela da música, reparei um certo dom para a interpretação. E se eu tentar a carreira de atriz? Gramado é logo ali. E comecei a pensar qual discurso faria ao ganhar meu primeiro Kikito.

 

 

Revelações

Me meti em rede social de jovens, aí vem a pessoa me questionar qual meu equipamento fotográfico! Oi? Amiga, eu sou do tempo da Xereta e da evoluída Love! Aquela que ao ir para o laboratório ser revelada e depois encontrava seu destino na lata de lixo! Coitada, vida e morte no mesmo equipamento! E ainda por cima levava o amor no nome! Mas calma, seus clicks sobreviviam! A colega do Instagram ficou chocada! Laboratório? Como assim?

Assim: antigamente, as câmeras de fotos precisavam passar uma temporada internadas num estabelecimento comercial e lá submetidas a tratamentos químicos, até virarem nossas lindas imagens em papel! Tempo do Epa! E como vocês compartilhavam? Perguntou ela. Para começar, cara mocinha, este termo só era utilizado para o lanhe da escola e olhe lá. Dependeria muito se eu gostaria de dar minha bolacha maria para ganhar merendinha de morango! Nossas fotos moravam em lindos álbuns de folhas de plástico e nos eventos familiares, passavam de mão em mão e as curtidas e os comentários vinham na hora. Cara a cara! Inclusive, os maldosos. “Nossa, como a Carol ficou gordinha nessa foto!!!” Sempre temos uma tia mais sincera que o necessário…

Hoje, minha super mega master máquina de fotografia foi parar no telefone celular. Que também não é grandes coisas. Já contei por aqui mesmo, que não sou chegada na tecnologia. Bem feito. Fui me meter onde minha idade não foi chamada e tenho que passar por estas e outras humilhações. Estou vendo a hora de ser expulsa do paraíso. O povo está cada vez mais de saco cheio de minhas perguntas e pedidos de esclarecimentos sobre o funcionamento, complicadíssimo para meu cérebro, das mídias atuais.

Tenham paciência novos amigos novos! Eu usei calça deandê listrada de rosa e fui no show do The Cure! Uma pessoa que fez isso na vida, só pode travar mediante os avanços e desenvolvimento! Eu sei que poderia acompanhar, me reciclar e tal, porém não tenho QI para tanto! Nem saco! Tenho preguiça. Confesso! E entre fazer a entendida e assumir minha condição de topeira, fiquei com a segunda! Parei lá no computador quatro três meia. Mas preciso revelar, que estou adorando fazer parte do grupo dos modernos!

Estou me achando, porque estou na tribo dos descolados! Estou me sentindo, porque estou com os milleniuns! E estou feliz de bancar a esperta! Conheci muitas pessoas bacanas, legais e queridas! Fiz amizades virtuais, troco mensagens, compartilho fotos, informações e impressões. Tenho até uma linguagem nova cheia de réchitéguis, téguis e arroubas! Acho que na próxima mesa espírita que minha avó participar,  Steve Jobs vai me mandar um recado. Vai me parabenizar! Isso aí, garota, você está conseguindo!

Não fique tão felizinho Steve, nessa altura já somos íntimos… sou pura enganação! Mas não conte pra ninguém aí de cima, muito menos para os daqui debaixo!

Não sei até onde o pessoal vai me aguentar, enquanto isso, sigo fazendo o que me ensinam bem direitinho. Eu acho.  Aproveito para fazer um apelo a minha nova turma: tenham dó de mim! E quanto ao equipamento fotográfico, lembro aos familiares que eventualmente possam ler esta crônica, que meu aniversário está próximo… #ficaadica.

 

 

 

Mudança de hábito

Você sabe que o tempo passou quando a conversa com as amigas muda radicalmente. Lá em 1988 era: com que roupa você vai na festa? Me empresta aquele rímel azul maravilhoso? Qual mãe ou pai vai nos buscar? Bons tempos! Aí você corta para 2017 e o assunto muda para saber qual o nome do antiinflamatório que não dói o estômago ou ainda qual o nome e telefone da melhor fisioterapeuta da cidade!

É sério. E triste. Quando foi que essa chave virou e transformou nossas vidas desse jeito? Que dia perdemos a juventude? Talvez no mesmo dia que meu joelho começou a doer ou o quadril da minha amiga deslocou. O quadril e a nossa conversa. Mudou tudo. No caso, se deslocou de século. E assusta viu? Um dia você está preocupada com o batom 24 horas que não sai da sua boca há 48 e no outro amanhece com hora marcada no traumatologista! Um dia você dança sem parar na boate da moda e no outro está dentro do tubo da tal ressonância magnética sem música nenhuma! Um dia você sonha com o gato da faculdade e no outro para seu gato, o bicho, não caminhar em cima das suas pernas – cansadas das varizes.

Passa rápido. Tudo isso foi ontem, juro. O tempo não é relativo, ele é cruel e voa.  A mocidade também. E não venha se achar o rei da cocada preta e imortal, porque acontece para todos! Uma hora chega, cedo ou tarde a terceira idade vai te pegar. Agora como ela vai te encontrar? Aí, talvez, dê para escolher. Eu pelo jeito tomei péssimas decisões. E a idade está me encontrando com a lataria bem danificada.

Talvez  eu e minhas amigas tenhamos conversado muito na academia e por causa de uma boa fofoca, perdemos de fazer aquele exercício importantíssimo para a saúde de nossos ossos. Foi uma opção, como tudo na vida. Puxar 20 quilos de ferro ou saber com quem o marido da dona do restaurante estava saindo? Bem feito pra mim que preferi ser abelhuda!! Quatro séries de abdominal ou a receita do bolo de cenoura de liquidificador? Uma cabulada coletiva por um café com conversa ou duas horas suando a camisa? Nem preciso te dizer tudo o que fizemos… Agora estamos pagando o preço. E o plano de saúde também!

Mas conheço um belo grupo de mulheres contemporâneas que se descobriram atletas e duvido que tenham dores.  Super na moda correr léguas e modalidades novas na academia. Se tenho inveja? Claro, sou humana! Elas devem estar envelhecendo sambando na cara da sociedade. O que posso fazer se preferi conversar? Adoro um bom papo e sempre odiei ter que me movimentar, se pudesse só piscava e olhe lá. Atenção crianças! Não façam isso em casa! Muito perigoso! Não me sigam os bons!

E agora? Bem, rebobinar a vida não pode, mas podemos rever conceitos e mudar os hábitos. Dar uma guinada, coisa linda de dizer. Superação! Quem sabe virar matéria reality no Bem Estar. Que sonho! Ainda dá tempo! Uma boa possibilidade é começar com exercícios leves de alongamento e fortalecimento dos músculos como pilates ou yoga. Hidroginástica ouvi falar que não força as articulações. Caminhar no parque. Contratar um personal tímido e afônico, assim não corro o risco de engatar um papo.

Levar a sério o assunto. Não levar as amiguinhas na aula é uma ordem. Se alimentar bem. Dormir bem. Vou tentar. Parar de reclamar também se faz necessário. Aja garota! Levante a buzanfa dessa cadeira e sacuda os quadris! (Desculpe amiga que deslocou-o… mas o meu ainda se mexe!). Força na peruca! Chama a produção do programa! Eu sei que somos uma boa pauta.

Proponho ao meu grupo de colegas essa revolução! Vamos todas nos cuidar para mostrar que ainda estamos podendo e muito! Caso contrário, como alguém disse dia desses, o seu próximo presente poderá ser um vale-farmácia! Vai querer? Eu não! Eu quero é lançar livro de auto-ajuda no Fantástico!